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Júri de Brasília condena policiais militares acusados de triplo homicídio

O Tribunal do Júri de Brasília, após dois dias de julgamento, condenou os policiais militares Gilberto Duarte Rivaroli Filho e Silvio Bueno dos Reis, conhecido como “Cara de Rato”, a 23 anos, um mês e seis dias de reclusão, a serem cumpridos inicialmente em regime fechado, e a perda do cargo. Eles foram condenados pela prática de triplo homicídio qualificado pela crueldade e uso de recurso que impossibilitou a defesa das vítimas Alex Ferreira Soares, Jildemar da Trindade Amorim e Wilson Lopes. O crime ocorreu em janeiro de 2006, em São Sebastião.

Segundo o juiz-presidente do Júri, nos autos constam diversos depoimentos comprobatórios do mau comportamento profissional dos acusados que, segundo consta, à época dos fatos costumavam ameaçar, agredir, extorquir, roubar e matar moradores da região do Paranoá, envolvidos com crimes ou não.

Assim, ao determinar a perda do cargo público de cada um dos condenados, o magistrado ressaltou que os acusados praticaram o crime no exercício da atividade pública, valendo-se da condição de policial. “No caso em questão, não há compatibilidade entre o crime praticado e a permanência dos acusados na condição de policial militar. A instituição da polícia militar, que tem a nobre missão constitucional de preservar a segurança e combater a criminalidade, não pode ter em seus quadros pessoa condenada pela prática de um crime tão perverso e tão abjeto como o narrado nestes autos. Pelo contrário, deve a sua corporação ser dotada de pessoas integras, com reputação ilibada e idoneidade moral”, afirmou o juiz.

De acordo com os autos, a residência de um policial militar aposentado foi invadida, sendo furtados sua arma de fogo e outros pertences. O aposentado passou a desconfiar que um grupo de três amigos fosse responsável pelo crime. Informados sobre as suspeitas, os policiais militares denunciados abordaram as vítimas em via pública e as levaram para as margens do Rio Jardim, sob uma ponte, em São Sebastião. No local, cobriram as cabeças dos jovens com camisetas e os executaram com tiros no crânio.

Originariamente, o processo foi distribuído para a circunscrição de São Sebastião, onde ocorreu o fato, mas o Ministério Público pediu a mudança de local do julgamento para o Fórum de Brasília, por temer que a população daquela região não se sentisse à vontade em julgar policiais militares que atuaram na cidade, o que poderia comprometer a imparcialidade necessária do julgamento.

Os réus poderão recorrer em liberdade. Segundo o juiz, os réus encontram-se soltos e assim devem permanecer, pois ausentes hipóteses que autorizem a decretação da prisão preventiva.

Processo: 2019.01.1.004738-9201812100065202006.08.1.001809-7

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